Teus beijos não têm gosto de nada, só me pedem outros beijos.
Te beijo e é como se nunca o tivesse feito - guardo ainda a surpresa
dos teus lábios nos meus.
Teus beijos são como brisas que me atravessam, mas não ficam.
Teus beijos são engenhosos.
Nunca se deixam prender e sempre se querem beijados mais.
E como sonhos, etéreos, me chamam o dia inteiro,
me levam, me arrastam...
# pra ti.
quinta-feira, 15 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
SOBRE AQUELE COM QUEM DANCEI:
Encontro em minhas peças o seu sorriso espalhado,
fragmentos de uma história descrita em um único suspiro de tantos outros a preencher minhas linhas.
Meus dedos invadem cada nota doce vinda dos seus movimentos,
uma valsa a dois em uma estação onde o destino poderia ser o paraíso ou poderia ser somente a eternidade daquele exato momento,
onde suas mãos arrancavam minha cintura e seu coração explodia no meu peito.
Se o meu olhar estaria encontrando o meu olhar perdido ali entre o seu,
ou se os seus lábios encontravam o seu sorriso perdido no meu rosto,
nunca saberemos.
Mas Jason Mars gentilmente nos cedeu uma canção para que embalasse nossa saudade.
# numa noite qualquer. [12-04-10]'chama
quinta-feira, 8 de abril de 2010
SOBRE A DISTÂNCIA:
Te olho de longe.
Essa é umas das poucas oportunidades que consigo te olhar de longe.
Onde sua presença não interfere nos meus pensamentos.
Onde consigo completar um raciocínio sem ser arrancada dele por alguma frase sua.
Esse tempo é curto perto de todo o resto.
Nele [a distancia] tento arrumar o que esta fora do lugar [dentro de mim] pra tentar te encaixar [ou desencaixar].
Faço planos mirabolantes pra te manter longe ao mesmo tempo em que procuro um meio de te ter mais perto.
Insisto em planos que não serão cumpridos.
Insisto em você, insisto em mim.
Fujo do ‘nós’.
Tenho medo.
Hoje acordei assim.
Dor de cabeça, saudade de você, um pensamento insistente me dizendo pra sumir.
A vontade é grande, mas não sei mais ser eu sem ter você perto.
A dor de cabeça vai e volta, com pontadas agudas a cada pensamento estranho, como se fosse um castigo por tê-los pensado.
Sim...
Mesmo de longe, você está perto, se faz presente.
Ouço você reclamando que estou quieta, chata.
Não...
# você não está longe
quarta-feira, 7 de abril de 2010
heart - later
Dada as circunstâncias e o pouco tempo que tive para processar tais informações, o deixei no modo "stand by".
Não por frieza ou qualquer coisa do tipo, mas por não saber como lidar com determinada situação naquele momento.
Foquei-me nos amigos, nos estudos, na nova crise, na gripe suína, na reforma ortográfica, nas novidades sobre o ‘mensalão’, no novo clipe do Justin Bieber, no que convinha para não ter que lidar com meus próprios problemas.
Não percebendo que a reforma teria que ser outra e que a crise...
terça-feira, 30 de março de 2010
SOBRE O QUE ELA QUER:
O que ela quer é viver de amor.
Fazer cafuné,
comprar presente,
reservar um chalé pra viagem,
olhar estrela sem ter o que dizer.
Quer tomar vinho e olhar nos olhos.
Ela quer poder soprar o que mora dentro,
o que não cabe,
que voa inocente e suicida.
Ela quer o que não tem nome.
Quer rir sem saber de quê,
passar horas sem notar,
quer o silêncio e a falação.
Ela quer bobagem.
Quer o que não serve pra nada.
Quer o desejo, que é menos comportado que a vontade.
Ela quer o imprevisto,
a surpresa,
o coração disparado,
o medo de ser bom.
Quer música,
barulho de e-mail na caixa,
celular tocando.
Ela tem muito e quer mais.
Quer sempre.
Quer se cobrir de eternidade,
quer o oxigênio do risco pra ficar sempre menina.
Ela quer tremer as pernas,
beijo no ponto de ônibus
e a milésima primeira vez.
Quer cor e som,
lembrança de ontem,
sorriso no canto da boca.
Ela quer dar bandeira.
Quer a alegria besta de quem não tem juízo.
O que ela quer é tão simples...
# só que ela não é desse mundo.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
SOBRE CORAÇÕES:
Ela trazia o coração envolto por uma casca.
De modo que nem parecia haver ali uma batida.
Ela era uma morta-viva, sorrindo para o mundo uma alegria comprada em loja.
Um dia ela topou com ele.
Ele, sim, trazia o seu coração nu, carne viva, pulsando convicto.
Um dia a casca do coração dela se quebrou e quem ficou nua foi ela, diante do que sentia. Pegou seu próprio coração com as mãos, quente feito brasa, e o jogava para um lado e para o outro sem saber o que fazer com aquele amor que lhe queimava a pele.
Quando olhou aquela bomba vermelho-sangue, o coração dele explodiu em sorriso.
Mas o tempo passou de novo e o que ela fez crescer não foi amor: foi outra casca.
Outra dura e forte a esconder mais uma vez aquele músculo frágil, a ponto de nem se ouvirem mais as batidas.
E o coração que ele não mais vê, não mais sente.
É o dela que ganha paz de novo, como quem viveu um sonho breve...
# e acordou
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
SOBRE SER:
Por ser feita de tanto desejo ela ligou o som e se pôs a fazer curvas no ar.
Antes de tudo, é preciso entender que quando as luzes se apagam e a música a faz perder a audição, os pés não acompanham o corpo e o desejo se faz autoridade.
Por isso ela se alivia, dizendo que a culpa não é dela e sim desse desejo com cara de gente.
Ela se alivia com os outros, mas assim que a fala termina uma pessoa que mora dentro dela grita:
- Mentirosa!
É bem conflituoso.
De um lado do trilho do trem há uma menina que afirma que saliva e mãos dadas são uma coisa só e parada, na frente do caminhão esperando a vida arrancar o último sopro há outra menina com ânsia de experimentar, com sede de deitar sem roupa na neve quente.
Esta é a razão pela qual ela não quis fazer psicologia. Foi pra não ousar tentar explicar coisas deste tipo.
Talvez uma mesma pessoa seja várias tonalidades ao mesmo tempo.
Isso de querer se dizer alguma coisa só serve para textos de máquina de escrever dos tempos românticos.
Pra ela há muitas teclas que permitem apagar qualquer que seja o pingo da letra i.
Eu diria que essa menina divide a linha do tempo.
Consegue dizer eu te amo e deixar abertos os supostos cadeados.
Ela se contradiz e sabe que faz isso a todo instante. Daí a tal metamorfose que ela frisa tanto ser.
Por culpa dessa transformação desenfreada esta mesma menina sente medo de não poder ver as rugas surgirem no rosto dele. Ela sente medo de não se pertencer e como conseqüência não pertencer a ninguém.
Pra ela isto é muito grave. É muita liberdade. Tanta que não é raro vê-la buscando prisões pra guardar sentimentos passageiros.
Ela que quer ter asas, mas não consegue deixar de amar as flores plantadas na terra. E aí... beija um homem, beija uma janela, beija uma grade. Beija pra ver se a saliva prende a liberdade.
Ela quer, queria, quis, e continua querendo apenas ser. Sem ter a necessidade de encontrar a soma total.
# porque se ela apenas for, já será suficiente.
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